Pense em um dia de trilha com muita chuva, alagamentos, barro e pântanos para atravessar. Uma aventura e tanto! Bora conhecer essa história?
O Parque Nacional da Serra do Cipó
O Parque Nacional da Serra do Cipó está localizado a aproximadamente 100 km da capital mineira. Na última semana de fevereiro eu e alguns amigos decidimos fazer uma trilha no parque rumo à cachoeira da Farofa. A trilha possui 8 km da portaria principal até a queda d’água e no caminho atravessamos dois riachos. O trajeto é bastante plano e digamos que pelo menos metade dele é arborizado, o que facilita imensamente a caminhada.
As Previsões e a Realidade
No entanto, na semana anterior ao passeio, que ocorreu em um domingo, um dilúvio constante e diário se abateu sobre o entorno de BH, chovia todos os dias à tarde. Mas como a esperança é a última que morre, e graças a uma estiagem no sábado que durou até as 16 horas, fomos na fé de que obteríamos sucesso e de que só choveria durante a tarde, o que garantiria a ida à cachoeira se fôssemos bem cedinho.
Então saímos às 6:30h de Nova Lima, achando que gastaríamos uma hora e meia até o parque. Chegamos às 10 horas lá! Como demoramos quase quatro horas para chegar lá? Não me pergunte (mas eu respondo: paradas na padaria e posto de gasolina)!
Ao chegarmos no parque não choveu, o que não deixou de ser um problema. As trilhas estavam muito alagadas, nos obrigando a andar no mato. Ainda assim, estávamos felizes pelas lindas paisagens com as quais o parque nos presenteia, e com a perspectiva de dar um tibum na cachoeira da Farofa ao final da trilha.

Uma Trilha Plana e Encantadora
A trilha é bastante plana! Andamos por um vale amplo, entre morros com afloramentos belíssimos de quartzito, trilha periodicamente sombreada por árvores do entorno e atravessamos um riacho muito refrescante.


Quando Tudo Começa a Ficar Desafiador
Ia dando tudo certo, maravilhoso até chegarmos aqui…

Esse aí na foto é o Sóstenes questionando: “Como é que passa aqui?”. Ali no fundo dá pra visualizar o objetivo final da trilha, a cachoeira da Farofa.
Este rio que vocês estão vendo nas fotos acima, era a trilha! E não pense que essa água era limpa, água preta de raiz!
Atravessando os Pântanos
Persistimos e atravessamos três pântanos como este, firmes, fortes e escorregando. As travessias foram demoradas porque era necessário muito cuidado para não pisar em falso ou escorregar e cair naquela água preta e fedida de bosta de vaca, mas com a visão da cachoeira ao fundo, nós persistimos!

A Trilha Desaparece
Porém, a vida, o destino ou seja lá no que você acredita estava determinado a nos testar neste dia e, a cerca de um quilômetro e meio da cachoeira, o Sóstenes parou e fez essa pose:

…que traduzindo em palavras, significa: “Eita porra!”
A trilha sumiu! Isso mesmo! SUMIU! Não dava mais para ver pra onde ia a trilha e como chegava à cachoeira. Já acabou Jéssica? Nãooo!
Alguém disse: “Será que vai chover?” E eu, euzinha, dada a meteorologista, disse “Não chove em menos de duas horas!”. Resultado? Começou a chover em 15 minutos e nós ainda tínhamos que atravessar um rio para voltar pra sede do parque! Chuva forte, cabulosa!

A Retirada Estratégica
Olha só a cachoeira ali, tão perto e tão longe!
Então, vendo a cachoeira ao fundo, demos as costas e caminhamos durante 1:45h debaixo de chuva. Sabe aqueles pântanos que demoramos a atravessar na ida? Passamos de braçada por eles na volta (risos…de aflição).

E quando faltavam 15 minutos pra chegar na sede do parque, o sol lindo e maravilhoso apareceu, pra jogar na nossa cara que aquele dia nós não íamos mesmo aproveitar a cachu.

O Lado Bom da Aventura
Mas bem, como tudo tem um lado bom na vida, nós tivemos um dia incrível de Indiana Jones, atravessando pântanos, escorregando na lama, tomando chuva, atravessando rios e levando tudo no bom humor (mais risos)!
Para finalizar, encontramos um restaurante aberto em Santana do Riacho, que por um precinho camarada nos serviu almoço sem balança, no fogão à lenha e com cachaça grátis! Foi bom? Foi bão uai! Mas temos planos de voltar em condições menos úmidas!
Quanto Custou Essa Aventura?
Fomos cinco pessoas em um carro que faz cerca de 15km por litro de gasolina. Gastamos R$100 de combustível (R$ 20 por pessoa). Paramos na padaria na ida e essa foi a brincadeira mais cara do rolê. Eu gastei cerca de R$ 15, mas o gasto foi bem variável entre os demais colegas.
A entrada no parque é gratuita. O almoço custou R$ 20. Portanto, total do passeio para mim foi de R$ 55.
Conclusão: não passe na padaria, leve lanche de casa! 😄
Dica Final: A Serra do Cipó é um destino incrível independentemente do tempo. Mas se você puder escolher, vá em dias com previsão de tempo estável. A recompensa (e a cachoeira) definitivamente valem a pena!